Onde se solta estrangulado grito
Humaniza-se a vida e sobe o pano.
Chegam aparições dóceis ao rito
Vindas do fosso mais fundo do humano.
Ilumina-se a cena e é soberano,
no palco, o real oculto no conflito.
É tragédia? É comédia? É, por engano,
O sequestro de um deus num barro aflito?
É o teatro: a magia que descobre
O rosto que a cara do homem cobre,
E reflectidos no teu espelho - o actor -
Os teus fantasmas levam-te para onde
O tempo puro que te corresponde
Entre horas ardidas está em flor.
Natália Correia

4 comentários:
Mas que bonito...
Ai, ai, a falta de tempo para ler tudo o que me apetece e poder conhecer mais coisas...
Adorei estes últimos versos, especialmente!
Beijinhos, Elsa!
Querida Elsa Neves
Belíssimo soneto e tão actual.
E que belo blogue...Voltarei muitas vezes.
Espero que goste do Bioterra.
Beijinhos
Salve, Hera!
Também gosto muito dos últimos versos... De todo o poema, aliás. Belíssimo!
Beijinhos.
Viva, João!
Obrigada por um comentário tão simpático.
Irei navegar agora pelo Bioterra. :)
Abraço.
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