quarta-feira, 21 de maio de 2008

Sobe o pano

Kozlov Vladimir, Teatro, 2003

Onde se solta estrangulado grito
Humaniza-se a vida e sobe o pano.
Chegam aparições dóceis ao rito
Vindas do fosso mais fundo do humano.

Ilumina-se a cena e é soberano,
no palco, o real oculto no conflito.
É tragédia? É comédia? É, por engano,
O sequestro de um deus num barro aflito?

É o teatro: a magia que descobre
O rosto que a cara do homem cobre,
E reflectidos no teu espelho - o actor -

Os teus fantasmas levam-te para onde
O tempo puro que te corresponde
Entre horas ardidas está em flor.

Natália Correia

4 comentários:

Hera disse...

Mas que bonito...

Ai, ai, a falta de tempo para ler tudo o que me apetece e poder conhecer mais coisas...

Adorei estes últimos versos, especialmente!

Beijinhos, Elsa!

João Soares disse...

Querida Elsa Neves
Belíssimo soneto e tão actual.
E que belo blogue...Voltarei muitas vezes.
Espero que goste do Bioterra.
Beijinhos

clio disse...

Salve, Hera!

Também gosto muito dos últimos versos... De todo o poema, aliás. Belíssimo!

Beijinhos.

clio disse...

Viva, João!

Obrigada por um comentário tão simpático.
Irei navegar agora pelo Bioterra. :)

Abraço.